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sábado, 26 de novembro de 2011

Querida Julieta


                 Ainda não achei meu verdadeiro. Sim, já tive (vários) amores platônicos típicos de adolescente, mas nada que fosse real.
                Acredito no amor e ainda o espero. Com o tempo sei que ee chega, num dia qualquer já predestinado para acontecer. Não me desespero: vou me preparando para recebê-lo e deixá-lo consumir meu coração.
               Muitos dizem e oensam que isso tudo é besteira, que não vale a pena. Mas eu sei que ele existe, lá na vidinha dele, passando por tudo o que ele deve passar. Mas ele existe, posso sentí-lo. Passamos por tudo o que temos que passar, sofreremos o que tivermos de sofrer, até o dia em que Deus juntar nossos caminhos e seremos um só corpo, sofrendo e alegrando-nos com o que há de vir.
              Aqui dento, eu e meu coração sabemos que pertencemos a alguém, e alguém pertence a nós. Desejamos sorrir para sempre, mesmo quando houver problemas. Seria pedir demais?
              Quanto tempo vai demorar? Bem, não sei. Não sei de nada. Na verdade, sei que o tempo de espera será nada comparado à tudo o que esse amor representa (e representará) para mim.
              Como uma vez Caio disse, “Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro”. Acredite quando digo que não me arrependo de tal feito.

Julieta, espero que me entendas. E se possível, avise-o que estou esperando. Com toda minha fé, com todo meu amor. Sou dele, e de mais ninguém. O amo, eternamente.

Um grande beijo,
Juliana.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O gosto de agosto

 
                Dizem que o dia tem 24 horas. Devem ter se esquecido que, no oitavo mês do ano, os dias se arrastam e nunca terminam. Que mesmo sendo demorados e longos, não há tempo de cumprir meus intermináveis afazeres.
                Abro o Word esperando escrever um texto incrível, nostálgico, fictício, engraçado ou o que seja, nem se quer uma única palavrinha que passe pela mente aparece na tela do computador. Quando formo uma frase, não acho algum sentido nela e começo tudo de novo.
                Na escola todo mundo parece mais chato do que sempre foi. Na rua não aparece (des)conhecido algum que seja interessante, nem um tiquinho. As músicas ficam monótonas e enjoativas. O clima, então, não sabe se me alegra com o frio ou se quer me cozinhar a bafo com o calor.
                Nada satisfaz a ansiedade que só aumenta a cada dia que demora a passar. A pressa de acontecer algo que tire o corpo do sofá e vá aproveitar o sol num dia nublado de fim de inverno cantarolando canções de paz e alegria. Pro resto da vida, sabe?
              O poeta interior cansa de não conseguir sentir, congelado pelo sentimento da época invernal (mesmo em dias que nem quilos de sorvete e ventilador na cara não espantam o calor). Nem a pintora, nem a desenhista, nem a atriz.
Para tirar do tédio, uma coleção de livros escolhidos a dedo pronta a ser saboreada e admirada, filmes clássicos me enchendo de nostalgia de algo que nunca vivi, músicas para serem cantadas no volume máximo que minha voz consegue alcançar. Preciso de distrações e qualquer coisa anda servindo.
Mas agosto é assim mesmo. Parece que nada dá certo, que nada vai passar, que setembro não vai chegar. Mas chega, esperando pra mostrar suas belas cores, seus belos sorrisos e seus belos aromas. Assim, agosto cumpre seu papel de ser lento. Tudo que é bom demora a chegar. Mesmo que o começo de algo novo seja amanhã.