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sábado, 23 de abril de 2011
Apresentando a pequena J
Ela nunca foi a garota mais popular, ou mais alta, ou mais bonita, ou mais qualquer coisa da turma. Sempre foi tímida, sempre se sentiu (ou sempre foi considerada) a amiga-feia. Porque, afinal, ela era diferente. Sempre foi. Mas quem foi que disse que o mundo aceitava as diferenças dela? Todos a olhavam com desprezo, com dó. Ninguém a quis conhecer ao fundo. NINGUÉM. Por mais que estivesse rodeada de pessoas, ela sentia-se sozinha. Como se ninguém a entendesse. E sabe o que era o pior de tudo? Ela tinha que suportar pessoas que tinham tudo se fazendo de vítima. Pessoas que namoraram 30 caras e ainda falavam "Ai, ninguém me ama. Ai, porque eu não arranjo namorado. Ai porque...". Afinal, o que se passa pela mente de gente assim? Mas ela mudou. Ela aprendeu a deletar de sua vida tudo o que era atraso. Aprendeu a ignorar as pessoas, ignorar os fatos. Aprendeu a valorizar o que lhe fazia bem. Aprendeu que sua felicidade não estava na mão, boca ou coração de outra pessoa, e sim em si própria. Sua vida só seria alegre se ela fizesse aquilo que acredita ser certo. E ela mudou. E ela cresceu. Hoje, ela não é mais aquela menina que não tinha boca pra nada. Hoje ela se sente amada. Hoje ela se completou. E todos notaram que nossa pequena J não é mais tão pequena assim.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
New message
Outra noite tive um pesadelo muito estranho: nós não estávamos juntos. Sonhei que, por um motivo oculto, não nos falávamos mais. Você sumiu de minha vida, eu gritava por você mas ninguém me ouvia. Meu mundo, de repende, desabou. Nada mais estava dando certo. Passei a sentir um vazio dentro de mim, ria sem vontade, conversava sem palavras, chorava sem lágrimas. Já não aguentava mais o barulho de meu travesseiro abafando meus gritos noturnos. Lembra daquele filme que o mocinho vai embora e a mocinha se arrisca só para vê-lo? Comecei a pensar nas possibilidades que eu tinha de fazer isso, só para te ter mais perto. O seu sorriso foi indo embora de minha mente. Ouve-se um grito abafado. Não conseguia mais sentir o seu perfume, nem mesmo seu abraço. Ouve-se mais um grito, dessa vez mais longo. Tentava gritar o seu nome, mas simplesmente não lembrava qual era. Era como se eu estivesse com saudades de algo que nunca existiu. Como se você nunca tivesse existido. Como se você nunca tivesse... Como se você nunca... Como se você... Como se... Como...
Uma luz estava brilhando na exata direção de meus olhos logo pela manhã. Ring, ring, ring...Chamada recebida... Era o seu número. Era o seu nome. Atendi correndo, querendo ter certeza de que você existia. Ouvi sua voz. Meu coração pulava de alegria. Meus olhos acharam as lágrimas e começaram a distribuí-las por todo meu rosto. Era você. Realmente, era você. Aquilo tudo era apenas um sonho. Ou melhor, um pesadelo. O pior de todos que tive até hoje. Mas a minha realidade... É a melhor que eu poderia ter!
Te amo muito!
E-mail escrito por Julie durante sua viagem à europa. Ela sente muita falta de Steve. Mas ambos sabem que, em breve, ela estará de volta. Enquanto isso, vocês poderão rever as histórias de Julie clicando aqui.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Sinceridade
- Sim, mãe, peguei a toalha... a escova de dentes... aham mãe, to levando casacos... mãe, já está tudo pronto!
Malas, passaporte, passagens, bolsa, câmera, melhor amiga... tudo pronto para passar as férias na Itália. Seria uma viagem incrível se Steve não estivesse tão estranho nas últimas semanas. Julie conhecia aquela expressão, o que ela mais temia desde que o conheceu estava prestes a acontecer.
- Calma, Ju. Não vai acontecer nada. Eu conheço ele, ele te ama muito.
Cala a sua boca, Sophie. Não, não vou ficar calma. Sim, vai acontecer sim. E mesmo que ele me ame tanto assim como você me diz, ENTÃO POR QUE ELE ESTÁ DESSE JEITO? Puxa o ar. Conte até 1000. Agora solte.
- Tudo bem, Sophie, vou tentar desencanar um pouco. Agora, dá para andar mais depressa? Até aquela 'vozinha' de bicicleta conseguiu passar a gente.
Sophie tinha acabado de tirar sua
- Aa, muito obrigada, irmãozinho, por me ajudar aqui com as minhas coisas. - disse Sophie dando um soco no braço (um pouco mais musculoso) de seu irmão.
Julie conseguiu soltar uma gargalhada por ver a cena de seu namorado e sua melhor amiga trocando amores de irmãos. Após fazerem o "check-in", Julie voltou ao banco em que estava sentada, junto de seus tesouros, esperando o aviso de que o avião iria sair quando olhou no fundo dos olhos de Steve:
- Responda com toda a sinceridade: você me ama? E não venha com 'claro que sim' ou com frases feitas, porque você sabe que não gosto disso. Não precisa de um texto melodramático feito às pressas. Preciso apenas da verdade.
Com um olhar longo e um abraço apertado, sua pergunta foi respondida com um simples "gostaria que você não fosse". A princípio, Ju não entendeu o que ele quis dizer. Ela deitou sua cabeça no ombro do dono de seu coração e ele passou a brincar com algumas mechas de seu cabelo (que agora já estava batendo em sua cintura). Naquele momento, enquanto ela sentia algumas gotas caindo em sua cabeça, ela começou a pensar em tudo o que estava acontecendo. Tin-tum, passageiros do voo 000008910246 dirijam-se para o portão 9. Mais do que nunca, a mão de Steve estava presa fortemente em sua mão. Com um demorado beijo acompanhado de lágrimas (acho que esqueci de comentar que ele era sentimental e romântico), Steve arrumou a franja de Julie e disse:
- Você sabe a resposta. Sempre soube. Estarei te esperando. Volte logo, está bem, meu amor? E você, Sophie, tome conta dela e não deixe com que ninguém olhe pra ela. Eu amo vocês duas. - virou-se para sua namorada e completou:
- Sempre amarei.
sábado, 4 de setembro de 2010
Sweetest goodbye
Julie havia sido convidada para o jantar de bodas de prata dos pais de Sophie e Steve. Ela e o irmão de sua melhor amiga estavam juntos havia um mês, e ele iria aproveitar para apresentá-la oficialmente à sua família. Mal sabia ela o que a estava esperando. Chegada a grande noite, ela colocou um vestido lindo e leve que era de sua avó materna junto com uma sandália de salto, combinando delicadamente com seu cabelo preso num coque da moda. Seus pais a acompanharam na casa dos Campbell's. Tudo estava indo perfeitamente bem. Até que o primo de sua amiga e seu namorado atravessou a porta de entrada acompanhado pela mais nova namorada. Julie apertou forte a mão de seus, antes de mais nada, amigos. Era ele. Aquele cara que a fez chorar todas as noites antes de dormir por semanas, ou talvez meses. A garota com quem ele estava era o motivo para ela parar de acreditar na amizade. Sua ex-melhor amiga com seu ex-namorado. "O que ele está fazendo aqui? Aqui, na casa da minha melhor amiga. Na casa do meu namorado." Sophie, sabendo da história, fez de conta que eles não se conheciam e apresentou Julie ao seu primo e logo foram pro quintal conversar. Adam, o primo quebrador de corações, pediu que Sophie fosse ajudar na cozinha para ficar a sós com nossa querida personagem. Ouvindo toda aquela história, cansada de ter que ouvir aquela voz áspera e irritante, levantou-se e disse:
- Esperei muito tempo por você, mas você estava ocupado demais para lembrar de minha existência. Não espere que eu vá voltar correndo pros seus braços.
Para você, meu mais doce adeus.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
At the bottom of the ocean
Tudo estava voltando a ser normal. Julie estava redescobrindo a felicidade que havia esquecido. Steve era um cara incrível, sempre a fazia rir do que fosse. Com o que ela poderia se preocupar? Com apenas um motivo: seu passado. Por incrível que pareça, toda aquela felicidade despertou lembranças enterradas em seu coração. Um dia, depois de passar algumas horas com Sophie e seu irmão mais velho, ela foi pra sua amada casa e começou a ler coisas que todos os dias lia. De uma maneira sabe-se lá como, ela conseguiu sentir algo se mexendo no coração. Era um doce menino, um pouco mais velho que Steve, e muito mais lindo. Era um amor meio "pré-adolescente" que não deu muito certo (sabe como que é, muitas fofocas, muito "ai, acho que não gosta de mim" e muitos problemas). Mas ele estava adormecido em seu coração - pode ser até por isso que houve uma época em que ela se tornou fria e calculista, sem querer saber do amor. Quando se deu conta, uma lágrima estava escorrendo por seu rosto, seguida por outras dez que por sua vez vinham antes de uma tempestade de lágrimas. Ela queria gritar por socorro, mas quem poderia ouví-la? Sophie. A única pessoa que Julie conseguiria conversar. Às vezes era bom ter uma melhor amiga.
domingo, 15 de agosto de 2010
5 pm
Era um dia ensolarado, do tipo que pessoas como Julie não suportavam. Ela estava diferente. Usava um vestido florido com uma sapatilha bege, seu cabelo (agora bem mais comprido) estava preso numa trança. Talvez as férias de verão estavam fazendo bem. Julie e Sophie, sua amiga balconista, estavam dando umas voltas no parque principal da cidadezinha do interior. Ela estava estranhamente feliz. Deitaram-se naquela grama perfeitamente verde do parque, a uns 15 metros do lago, e, como duas crianças de 6 anos, brincaram de desenhar nas nuvens. Entre risos e dores musculares na barriga, Julie foi adormecendo. Dormiu, por aproximadamente 15 minutos. Acordou com Sophie aos berros porque seu irmão acabara de voltar de uma viagem de intercâmbio da Inglaterra. Seu nome era Steve, havia completado 18 anos uma semana antes de voltar. Ele era lindo. Perfeito. Uma brisa passou e brincou com seus cabelos negros, ligeiramente ondulados. E aqueles olhos castanhos que mostravam tamanho amor por sua irmazinha e uma timidez por conhecer a amiga dela? Julie virou uma completa idiota perto dele. Ela havia se proibido de sentir algo daquele tipo, mas, e daí? Ela já estava evitando o amor há muito tempo. Já era hora de enfrentar seus medos e traumas e ter uma vida. Uma vida com uma pitada de amor e borboletas no estômago.
sábado, 24 de julho de 2010
Chuva, café e um sobretudo preto.
Era um dia chuvoso e frio naquela cidade. Um dia perfeito para ficar em casa... ou não. Julie vestiu seu jeans skinny velhinho, uma sapatilha que nunca saía de seus pés, uma camisa que ainda estava com o perfume dele, e um sobretudo preto. Sem rumo ou esperança de encontrar algum rosto conhecido, saiu pelas ruas debaixo do guarda-chuva xadrez. Seguindo por uma rua muito movimentada (mas não naquele dia) daquela cidade
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