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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Pedidos de desculpa

                                                         Springtime - Foto tirada por Anita


Desculpa-me, sociedade, se minha risada é alta e vem do fundo de minha alma. Desculpa-me se gosto da bagunça dos cobertores na minha cama e a marca do meu travesseiro. Desculpa-me, críticos da vida, se não gosto de baladinhas, festinhas, ou qualquer coisinha. Desculpa-me, turminha legal, se eu odeio cerveja, não bebo até cair pelos cantos da cidade, não fumo ou não uso drogas. Desculpa-me, princesinhas modernas, se eu ainda acredito no amor verdadeiro, espero e luto por ele. Desculpa-me, alunos de hoje em dia, se eu prefiro estudar e batalhar pelo meu futuro a ficar conversando e não ter definições pra minha vida. Desculpa-me, filhinhos de papai, se eu trabalho e ganho meu próprio salário, dando valor ao suor e esforço alheio, ao invés de ser sustentada pelos meus pais e ser só mais um nesse mundo. Desculpa-me, donos da razão, se eu sei quando estou certa e luto para provar, e que quando estou errada admito coisa tal, ao contrário de humilhar os outros e nunca reconhecer. Desculpa-me, falsos amigos, se eu não sei guardar mágoas, mas sei quem são os melhores para mim. 
Desculpa-me se choro por tudo, sofro por tudo e sorrio por tudo. Desculpa-me se no meio de todo esse caos mundano eu ainda sinto, meu coração não se transformou em pedra. Desculpa-me se troco noites em claro com os amigos por dias e noites com minha família. Desculpa-me se acho que o sexo virou uma coisa vulgar e banal. Desculpa-me se eu prefiro estar solteira e sem “peguetes” do que ter alguém e não ser amada. Desculpa-me se prefiro a sinceridade ao invés da falsidade. Desculpa-me se não faço promessas em vão. Desculpa-me se eu amadureci e não sou mais uma adolescente fútil e ingênua. Desculpa-me se quando escrevo você não entende minhas palavras. Desculpa-me se você presta mais atenção na minha voz do que na alegria que sinto em cantar. Desculpa-me se tenho esse jeito meio bagunçado, meio descuidado, meio desvairado. Desculpa-me se sou indecisa, apesar de constante decisões. Desculpa-me se ainda sou ingênua e insegura. Desculpa-me se não sei ser misteriosa, nem histérica, nem revoltada. Desculpa-me se sou palhaça e me estresso facilmente.
Desculpa-me, vida, se eu sou assim. Porque eu não vou mudar.

Oi gente! Aproveito esse meu momento "desculpa" para pedir mil desculpas por ter deixado o blog abandonado. Último bimestre do último ano não é fácil. Graças a Deus minha fase de vestibular já passou (assim como eu!), agora é só fechar as notas da escola (oi, correria!) e descansar até o início do meu curso da facul. Prometo voltar a escrever ao menos uma vez por semana nessas férias. 
Um beijo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O gosto de agosto

 
                Dizem que o dia tem 24 horas. Devem ter se esquecido que, no oitavo mês do ano, os dias se arrastam e nunca terminam. Que mesmo sendo demorados e longos, não há tempo de cumprir meus intermináveis afazeres.
                Abro o Word esperando escrever um texto incrível, nostálgico, fictício, engraçado ou o que seja, nem se quer uma única palavrinha que passe pela mente aparece na tela do computador. Quando formo uma frase, não acho algum sentido nela e começo tudo de novo.
                Na escola todo mundo parece mais chato do que sempre foi. Na rua não aparece (des)conhecido algum que seja interessante, nem um tiquinho. As músicas ficam monótonas e enjoativas. O clima, então, não sabe se me alegra com o frio ou se quer me cozinhar a bafo com o calor.
                Nada satisfaz a ansiedade que só aumenta a cada dia que demora a passar. A pressa de acontecer algo que tire o corpo do sofá e vá aproveitar o sol num dia nublado de fim de inverno cantarolando canções de paz e alegria. Pro resto da vida, sabe?
              O poeta interior cansa de não conseguir sentir, congelado pelo sentimento da época invernal (mesmo em dias que nem quilos de sorvete e ventilador na cara não espantam o calor). Nem a pintora, nem a desenhista, nem a atriz.
Para tirar do tédio, uma coleção de livros escolhidos a dedo pronta a ser saboreada e admirada, filmes clássicos me enchendo de nostalgia de algo que nunca vivi, músicas para serem cantadas no volume máximo que minha voz consegue alcançar. Preciso de distrações e qualquer coisa anda servindo.
Mas agosto é assim mesmo. Parece que nada dá certo, que nada vai passar, que setembro não vai chegar. Mas chega, esperando pra mostrar suas belas cores, seus belos sorrisos e seus belos aromas. Assim, agosto cumpre seu papel de ser lento. Tudo que é bom demora a chegar. Mesmo que o começo de algo novo seja amanhã.