quinta-feira, 2 de junho de 2011

Le garçon de mes rêves

   Não sei ao certo como você é, qual o seu nome, nem onde mora, quantos anos você tem, o som da sua voz, o aroma de seu perfume. Mas adivinha: eu te amo. Eu te amo com todas as células de meu corpo, com todas as borboletas no meu estômago. Eu te amo porque, num espacinho dentro de mim, há a certeza que você existe e me ama também.
   É estranho sentir tão fortemente isso por alguém que nunca vi, nunca conversei. Mas eu sinto. Eu sinto? Sim, eu sinto. Sinto porque tenho esperanças de que um dia você vai aparecer na minha vida. Sinto porque você não é nenhum príncipe encantado do meu conto de fadas favorito, mas você é o amor da minha vida. Sabe, aquele que sempre esperei (e espero). Aquele que eu sempre ouço falar e penso "não vejo a hora de vivê-lo".
   Engraçado, sempre me pego rindo sozinha. Não é um riso sarcástico, ou um riso porque li alguma coisa engraçada. O meu riso é um riso de "olá, mundo! estou apaixonada, tá dando pra reparar?". Não é proposital, eu juro. Mas é bom me sentir assim, te imaginar aí enquanto estou aqui.
   Você pode não saber, mas tem todo meu coração aí contigo. A cada batida, ele diz "te espero, me espere também". Não desista, não desistirei também. Porque toda essa espera, todo esse tempo, todos esses momentos forever alone, serão compensados quando eu ver seus lábios sorrindo por minha causa, quando eu sentir teus braços em volta de minha cintura me apertando carinhosamente, seus olhos brilhando como os meus.
   Continuo acreditando no amor, mesmo com o mundo conspirando contra isso. Isso? O amor. O amor que dá asas à felicidade, que nos cura de todos os males, que nos protege das nossas quedas. Eu sei que existe. Em algum tempo/espaço que ainda estou para descobrir. Mas existe.
   Há distrações, e muitas, mas são insignificantes demais para serem levadas a sério. Porque nada, nenhum cara do colegial de cabelo bagunçado, conseguirá me ter como você me tem. Não arrancará um "eu te amo" de meus lábios com a sinceridade que digo (e direi) a você.
   Se cuida enquanto não te tenho, se cuida enquanto espero.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Frases invisíveis


 Faço rascunho de 50 textos em minha mente mas não consigo ler nenhum deles. Aqui, sentada nessa cadeira (dura e nenhum pouco confortável) enfrente ao computador, digito várias letras mas parece que nenhuma faz sentido. O que é isso? Ele pegou toda minha inspiração e guardou junto dele? Quer dizer que minhas palavras, no fundo, existem por causa dele? Mas eu ainda nem o conheço, meu Deus! Não sei em que esquina vou encontrar com ele, ou em que ocasião a gente vai conversar pela primeira vez, e essas coisas do gênero. Deixa eu ver se entendi: alguém que sei que existe e nunca vi em toda minha vida é a fonte de inspiração pras minhas frases e pros meus sonhos? É, pelo visto sim. Seria então possível estar apaixonada por alguém antes mesmo de ver essa pessoa? Bem, estou começando a acreditar que sim. Então é o seguinte: você, você aí que está com todas as minhas palavras bonitas e doídas, apareça qualquer hora, pode até ser sem aviso, e a gente tenta negociar. Tipo, você me chama pra tomar um sorvete e depois me devolve a capacidade de sentir algo. Quem sabe, então, esse vazio gelado que sinto toda vez que tento escrever não se vá?

Escrevi esse texto no começo desse ano e estava até agora nos rascunhos. Aproveito a volta da minha fase "carência excessiva" para publicá-lo.

sábado, 14 de maio de 2011

A mentira do bem-me-quer


 O problema é que mulher exige demais. Quer o pacote completo, sabe? Pra maioria, homem bom tem que ser alto, lindo, cabelos lisos ou ondulados, moreno ou loiro, olhos azuis ou verdes, romântico do tipo que manda mensagem às duas da matina dizendo que a ama e se declara na chuva, que dorme juntinho... Tá, só isso que consegui lembrar. Não pode faltar nada. E quando acha um que, no físico, é tudo o que queria, logo vai fantasiando ele de príncipe encantado da Cindy, que procurava por ela dia e noite até encontrar a dona do sapatinho de cristal Louboutin. Procuramos em cada detalhe um sinal de que ele está perdidamente apaixonado por nós. Depositamos todas as esperanças de que quando ele sorri é porque pensou na gente, quando ele fala com um amigo em comum é porque ele quer saber se sentimos o mesmo.
 Daí o encanto acaba, o carinha dos sonhos volta pros sonhos e o cafajeste aparece na vida real. E sabe qual é o maior problema? É que a maioria de nós a culpa toda no cara simplesmente porque não aguenta toda a dor dentro de si. Cansa demais comer os 25 pacotes de salgadinho fedorento sozinha, tomar 1 pote de 2 litros de sorvete com calda de chocolate por noite, assistindo Titanic com aquele pijama todo furado e com apenas 1 meia sobrando no pé.
 Cansa, dói, machuca, deixa a gente triste e chata. E enquanto estamos por aí nos acabando em lágrimas, o carinha que tanto dizemos que amamos (e bla bla bla) está sorrindo, se divertindo, beijando, jogando, abraçando, brincando. Sendo feliz.
 Agora me diz: POR QUE NÃO SOMOS CAPAZES DE FAZER O MESMO COM TANTA FACILIDADE?

sábado, 23 de abril de 2011

Apresentando a pequena J


 Ela nunca foi a garota mais popular, ou mais alta, ou mais bonita, ou mais qualquer coisa da turma. Sempre foi tímida, sempre se sentiu (ou sempre foi considerada) a amiga-feia. Porque, afinal, ela era diferente. Sempre foi. Mas quem foi que disse que o mundo aceitava as diferenças dela? Todos a olhavam com desprezo, com dó. Ninguém a quis conhecer ao fundo. NINGUÉM. Por mais que estivesse rodeada de pessoas, ela sentia-se sozinha. Como se ninguém a entendesse. E sabe o que era o pior de tudo? Ela tinha que suportar pessoas que tinham tudo se fazendo de vítima. Pessoas que namoraram 30 caras e ainda falavam "Ai, ninguém me ama. Ai, porque eu não arranjo namorado. Ai porque...". Afinal, o que se passa pela mente de gente assim? Mas ela mudou. Ela aprendeu a deletar de sua vida tudo o que era atraso. Aprendeu a ignorar as pessoas, ignorar os fatos. Aprendeu a valorizar o que lhe fazia bem. Aprendeu que sua felicidade não estava na mão, boca ou coração de outra pessoa, e sim em si própria. Sua vida só seria alegre se ela fizesse aquilo que acredita ser certo. E ela mudou. E ela cresceu. Hoje, ela não é mais aquela menina que não tinha boca pra nada. Hoje ela se sente amada. Hoje ela se completou. E todos notaram que nossa pequena J não é mais tão pequena assim.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Hora de mudanças


 Sem rodeios, direto ao ponto: tenho medo que gostem de mim. Descobri isso há alguns dias, mas era apenas uma hipótese. Melhor eu explicar, né? É o seguinte. Eu tenho medo que alguém se apaixone por mim, e eu não conseguir retribuir. Tenho medo de machucar a pessoa, porque eu sei o quanto dói. Tenho medo de mudar, tenho medo de crescer. E sim, eu acho que um relacionamento te faz amadurecer. Talvez seja por isso que eu sempre invento essas paixões por pessoas que eu sei que nunca vão retribuir. O problema é que cansei disso. Cansei, cansei, cansei. Porque ficar por aí, achando que nada nunca vai dar certo na minha vida, sinceramente, não é pra mim. Então o jeito é aceitar. Viver. Rir. Curtir. Porque uma hora, isso vai acabar. Ou melhor, irá começar. As borboletas no estomago, o beijo na testa, os abraços enquanto estamos voltando pra casa. E daí, esse medo que eu tenho vai sumir, pra nunca mais voltar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Um não-gostar


 Tudo era só uma brincadeira, como um passatempo inocente. Era só isso. Eu juro. E eu controlei esse tempo todo. Por que agora teve que mudar? Por que agora eu tenho que me derreter a cada sorriso torto e meigo que ele dá? Ou começo a procurá-lo quando ouço sua voz? Queria que alguém viesse me explicar o porquê que eu sempre dou risada com as palhaçadas que ele faz, com as graças sempre que estou por perto o observando. Mas que porcaria é essa, minha gente?! Não, não e não. Não quero sentir isso. Me proíbo. É, como se eu realmente fosse obediente. Mas não, isso não pode acontecer. Quer dizer, não só pode como está acontecendo. E agora, o que faço? Eu, aceitar que estou gostando dele? Pfff... Como vou aceitar uma coisa que não é verdadeira? Não, não tem cabimento. Ou talvez tenha. Argh, o que ele fez comigo?
 De tão não-apaixonada que eu estou, esse é um texto falando dele. De tão não-apaixonada que estou, fico lembrando de cada detalhe que faz com que ele seja o idiota (mais lindo) daquela escola. De tão não-apaixonada, lá no fundo queria que desse certo com ele. E nós nem conversamos direito.  E eu nem gosto tanto dele. E estou aqui, sendo uma completa não-apaixonada.
 Mas eu não quero assumir isso, não quero, não posso, não vou. Porque se eu falar "cara, tô gostando de você", vai ser oficial. As borboletas se debatendo no meu estômago quando o vejo serão oficiais. O ciúme bobo de vê-lo com aquelas coleguinhas que eu nunca gostei será oficial. Todo aquele sofrimento, aquele que tentei fingir que não existe, será oficial. E dor, medo, tristeza, isso eu não quero. Não mais uma vez. Não posso, porque ele é meu escape pra tudo isso. E eu, nessa onda de paixão por brincadeira, não quero acabar tendo que procurar outro. Por favor, não me dê motivos para isso.
 Legal, consegui me enfiar numa nova furada. Ou, talvez, quem sabe, seja uma não-furada.

PS: Foi uma furada. O bom? Nem doeu!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O conquistador


  Ele passa pela rua e todas as garotas olham suspirando. Seu sorriso derrete os corações de adolescentes (muitas vezes fúteis). Ele escolhe uma presa, uma vítima. Anda na direção dela, num jeito de garoto tímido e fofo. Lança seu olhar de apaixonado e aquele sorriso meio torto. Ela cai em sua armadilha. Ele a faz rir com pequenas coisas, e ela continua se fazendo de difícil. Ele não desiste até consegui-la. Pelo menos, não se ela vale o esforço e acaba sendo mais uma pena pra enfeitar essa galinha.
 Para ele, o que importa é a quantidade (grande na lista dele, pequena nas virtudes da garota). Nada mais. Quando ele consegue o que quer, logo larga uma coitada apaixonada por aí e procura um novo alguém. Bem dizendo, ele é um nômade.
 Não gaste suas lágrimas na frente dele pois ele não tem coração. No mínimo rirá de você.
 Ele ri da palavra amor e de qualquer demonstração de sentimentos.
 Ele chora, sim, quando o gel barato que ele usa saiu de linha. Se decepciona se o carro não ultrapassou os 220km/hr que ele tanto esperava alcançar. Se sente prejudicado se não pega mais de 25 garotas na balada ou qualquer outro tipo de festinha.
 Ele não irá trocar a cerveja enquanto assiste uma partida de futebol com os amigos só pra ir à casa de uma menina pra assistir filmes água com açúcar.
 Ele não pertence à ninguém, ninguém pertence à ele. Sempre tem um estepe para quando se cansar de procurar, e, diga-se de passagem, a garota é uma idiota apaixonada. Apaixonada, idiota, retardada, sem noção... Qual é a diferença nessa situação? Mas não adianta negar: pelo menos uma vez na vida você se apaixonou por um cara assim. Todas nós já. É quase uma lei da vida feminina.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Meu mundo das maravilhas


  - Por que você escreve?
  - Porque eu quero. - respondi ríspida.
  - Mas por que querer? Digo, é tão chato...
  - Eu gosto. - senti uma uma ponta de ácido quando respondi isso, meio tímida, meio normal.
  - Como pode gostar?
  - Olha, quando você está triste, ou feliz, ou qualquer outra coisa, o que você faz?
  - Ah, conto pros meus amigos.
  - Então.
  - Não é a mesma coisa.
  - Aí é que você se engana.
  - Como assim?
  - Quando as pessoas estão tristes, elas tendem a desabafar, certo? Eu não sei desabafar. Digo, não sei desabafar olhando pra alguém. As palavras simplismente não saem. Quando escrevo, é diferente.
  - Diferente como, minha filha?
  - Eu me sinto livre. Como se todo o peso que está dentro do meu peito saísse e todos pudessem me entender. Posso inventar algo sem me prender àquilo. Se estou indignada com algo, escrevo. Se estou feliz, escrevo. Se estou com saudades, escrevo. As palavras são minhas amigas, podem me fazer viajar para um outro mundo, ou simplesmente me abraçar quando estou sozinha, no meio de um profundo vazio.
  - Então quer dizer que escrever é importante pra você?
  - Sim.
  - Ahm... Por acaso você vai ser escritora?
  - Não.
  - Mas por que se você gosta de escrever?
  - Você acabou de responder.
  - Sério? Ah. ... Não entendi.
  - É simples: escrevo porque eu amo escrever, porque me sinto feliz, porque estou com vontade. Se eu fizer isso por obrigação, perderei o encanto, a magia, a felicidade da escrita. Eu não me vejo como uma escritora que recebe para isso, mas não me imagino sem as palavras em minha vida. É meu refúgio, não minha obrigação.

* foto da chuchuzinha Melinda

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O mágico e sua cartola


 Encontrei com ele num circo (bem, havia muitos palhaços em volta, então acredito que era um circo). Ele não estava no centro de todas as atenções, mas eu prestava atenção em cada traço seu. Bem, ele era o tipo de sonho adolescente que eu queria que se tornasse realidade. E começou a se tornar.
 O mágico sempre me encantava com seus truques que, mesmo conhecendo, fingia que ficava surpresa e sorria. No começo, ele fazia surgir pombas de um pacote preto e vazio, fazia com que sua varinha virasse um lindo buquê de flores. Depois ele ganhou a cartola pra completar seu estilo. Ele tirava tudo o que eu pedisse ou quisesse lá de dentro: um par de sapato caríssimo, uma bolsa que apareceu na vitrine da loja mais popular da cidade na semana passada, um colar que vi numa loja de antiguidades... E assim foi indo. Até ele tirar daquela cartola meus sentimentos.
 "Mas eles estavam aqui, dentro de mim! Como isso é possível?"
 Era possível, foi possível, ainda é possível. Ele roubou todos os que eu guardava, até os que nunca usei, sabe-se lá por qual motivo. Não restou mais nada. Nada mais. O mágico sumiu daquele palco em uma de suas apresentações junto com sua cartola que não servia pra nada. Me tornei fria. Disse coisas que nunca passariam pela minha mente. Seu mágico de merda que só usa truques baratos, tá na hora de arrumar uma assistente de palco, dessas gostosas que não servem pra nada a não ser ficar com um sorriso mais falso que a cor do próprio cabelo. Pra mim, já chega. Jurei que não me apaixonaria por mais nenhum cara bonito com baralhos de baixo da manga. E não irei. Até o próximo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Querido diário


 Ontem recebi uma notícia incrível: passei num concurso. Sabe, isso meio que me surpreendeu. Percebi que sou capaz de tantas coisas, que tenho competência. E isso deu um empurrãozinho para que eu comece uma nova fase na minha vida. E eu estou começando. E eu estou amando. Estou numa fase de me amar mais, de me querer mais, de me preocupar mais comigo mesma, de me surpreender mais, de me fazer mais feliz. Me afastar de tudo aquilo que não me faz bem, respirar um ar mais puro, entende? Aceitar que Deus tira pessoas de meu cotidiano não para me machucar, mas para me poupar de sofrimentos. Estou aprendendo que a felicidade não está nos outros, está em mim. Me peguei perguntando o porquê de eu ter gostado de tal pessoa e continuar insistindo no que não existia mais, me perguntei também o porquê continuo falando com certas pessoas, ou porque tomei certas decisões. Isso aí! Um momento de reflexão! Sabe, esse amor todo está fazendo com que eu me sinta mais leve. Sabe o que é isso? É o começo de algo novo! E sabe qual é a melhor parte de tanto amor próprio? É que esse amor é correspondido.


*foto da fofa da Anitah.